terça-feira, 16 de junho de 2009


Parabólicas extraterrestres


Aranhas cansadas obedeciam ao roteiro... Teias frágeis bordavam o alto da janela enferrujada.
Quinta-feira, 21 de agosto de 2008. 15h:41 min.
O eflúvio doce agora saía pela porta da frente... Enfim sozinha em casa. O cenário era meio extraterrestre e não me admiraria caso se tratasse de uma nave espacial gigantesca. Antenas parabólicas capturavam um som que provavelmente veio do além. E agora homens coloridos surgiam misteriosamente de um buraco negro na passarela para o palco principal. Podia-se ouvir nesse instante uma orquestra abrir alas para os melhores representantes do rock alienígena: Muse. É esse o nome da banda que paralisava um olhar congelado na tela de um computador doentio. A platéia cinzenta, e quando o único colorido surgiu, todos os olhares se mantiveram fixo neles. A guitarra descontente dava agora seus primeiros gritos de encanto... E por cima do som abafado do baixo, um gemido surgia preenchendo todo o céu que suspirava sobre a multidão. Foi inevitável... O coração acelerou e uma sensação de felicidade extrema tomou conta de mim. E o que fazer agora se a banda mais sensacional de todos os tempos tocava exclusivamente dentro de meus ouvidos. O pé esquerdo fazia movimentos de cima para baixo e minha capacidade de comando havia se esgotado... Minha cabeça balançava freneticamente junto à massa negra incontável do outro lado da tela. Não existia outro mundo. E se existia eu me encontrava do lado de fora. Júpiter parecia tão próximo que o sarcasmo da minha imaginação não conseguiu manter-se em manifesto. Sim, eu estava em outro plano, bem mais oculto que os pensamentos de um poeta elegíaco. O sol, o vento abafado do ventilador e até o copo de coca-cola haviam sido esquecidos em meu antigo mundo, e por instantes pensei que nunca mais conseguiria sair do estado de êxtase. O piano acompanhado de uma guitarra distorcida se preparava para meu clímax privado... “Feeling good” a música que embala meus sonhos e pensamentos mais profundos agora me matava aos poucos... A sensação de querer explodir com a música já não eram tão distante. Encantadoramente mulheres surgiram no espaço penduradas por esferas gigantes... Duas lágrimas no meu olho esquerdo escorreram quentes pelo meu rosto inexpressivo. Fato, essa é a banda de meus sonhos que não consegui criar por inteiro...


{1h: 39 min e 25 segundos de satisfação auditiva}
By:J.R.Ramone



DVD: Haarp - Muse

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